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Como escolher uma pousada pet friendly para viajar com seu cachorro

14 de set.
9 min de leitura

Viajar com nossos dogs é uma delícia, né? Mas escolher a hospedagem errada pode complicar bastante uma viagem que tinha tudo para ser maravilhosa.


Quando a gente começa a procurar, parece simples: joga no Google “hotel pet friendly”, “pousada pet friendly” ou “hotel que aceita cachorro”, aparecem várias opções bonitinhas e pronto.


Só que não é bem assim.


Eu viajo com cães desde 2012 e trabalho profissionalmente com turismo pet friendly desde 2017. Nesse tempo, uma coisa ficou muito clara para mim: hotel pet friendly não é tudo igual. E aceitar é bem diferente de receber.


Um lugar pode permitir a entrada do seu cachorro e ainda assim ter regras que simplesmente não funcionam para a sua família. Em outro, pode existir uma política cheia de regras, mas todas elas serem claras, coerentes e perfeitamente compatíveis com aquilo que você e seu cachorro precisam.


Então, antes de reservar, esqueça um pouquinho o selinho “pet friendly” e olhe para o que realmente importa: como aquele lugar recebe os cães e se essa experiência combina com vocês.


Porque a hospedagem pet friendly ideal para mim pode não ser a ideal para você. E tudo bem.


Cachorro em hospedagem pet friendly durante uma viagem

Antes da hospedagem, olhe para o destino inteiro

Antes de escolher o hotel ou a pousada, tem uma pergunta anterior: o destino também funciona para o seu cachorro?


Se a ideia for passar o final de semana inteiro dentro de um resort, hotel-fazenda ou pousada, talvez a estrutura da própria hospedagem resolva quase tudo.


Agora, se você pretende conhecer a cidade, fazer passeios, visitar atrações e sair para comer, precisa olhar um pouco além do quarto.


Há restaurantes onde ele poderá ficar com você? Os atrativos que pretende conhecer aceitam cães? Existem parques, trilhas ou passeios pet friendly? Como vocês vão se deslocar?


Parece detalhe, mas já vi acontecer de a família escolher uma hospedagem maravilhosa para o cachorro e descobrir depois que praticamente nada no restante do destino podia ser feito com ele.


E aí aparece aquela situação nada divertida: viajei com o cachorro para passar boa parte da viagem tentando descobrir onde colocar o cachorro.

Não era bem esse o plano, né?


Cindy durante uma viagem pet friendly da Cãomigo

Se vocês forem de carro, vale também ler nosso artigo sobre como viajar de carro com cachorro antes de pegar a estrada.


Pet friendly não é tudo igual: leia a política pet antes de reservar

Essa talvez seja a dica mais importante de todo o texto.

Leia a política pet da hospedagem. De verdade.


Não fique apenas com o ícone “aceita pets” na plataforma de reservas, com uma foto bonita no Instagram ou com a informação de que o hotel é pet friendly.

É na política que normalmente aparecem as informações que podem fazer uma enorme diferença na sua experiência.


Existe limite de tamanho, peso ou quantidade de cães?

Essa é uma das primeiras coisas que eu olho.

Algumas hospedagens aceitam cães de qualquer porte. Outras estabelecem limite de peso, quantidade de animais por quarto ou outras condições específicas.


Para quem viaja com um cão grande ou com vários cães como eu, isso faz toda diferença.


Não existe nada pior do que se apaixonar pelo lugar, planejar a viagem inteira e descobrir no finalzinho da reserva que seu cachorro não se encaixa na regra.

Aliás, se a política não estiver clara, pergunte.

Melhor mandar uma mensagem antes do que descobrir a resposta chegando com as malas e o cachorro na recepção.


Onde o cachorro pode circular?


Cães em uma hospedagem pet friendly na Pousada Pegada da Onça, em Tapiraí

“Aceitamos pets” não significa necessariamente “seu cachorro pode acompanhar você por toda a propriedade”.

Pergunte onde ele pode ficar.

Pode circular pelas áreas externas? Pode acompanhar você durante as refeições? Tem acesso às áreas de lazer? Existem espaços onde precisa permanecer na guia? Há alguma área completamente proibida?

E aqui tem uma coisa importante: ter regras não torna uma hospedagem menos pet friendly.

Dependendo da estrutura, da proposta e do perfil do lugar, algumas limitações fazem sentido. O que eu considero essencial é que elas sejam coerentes e, principalmente, estejam claras antes da reserva.

Assim você consegue decidir se funcionam para a sua família.


Ele pode ficar sozinho no quarto?

Essa regra merece atenção especial porque interfere diretamente na programação da viagem.


Algumas hospedagens não permitem que os cães permaneçam sozinhos na acomodação. Outras permitem dentro de determinadas condições.


Se não pode ficar sozinho, tudo o que você pretende fazer precisa aceitar o cachorro também.

E é aqui que surge uma das minhas regras pet friendly preferidas pela capacidade de criar um pequeno enigma: o cachorro não pode entrar no restaurante e também não pode ficar sozinho no quarto.

Tá. E faço o quê com o cachorro enquanto eu vou comer? 😂


Parece brincadeira, mas acontece.


Por isso eu sempre confiro as regras em conjunto. Isoladamente, cada uma pode até parecer razoável; juntas, às vezes simplesmente não funcionam.


Onde vocês vão fazer as refeições?

O cachorro não precisa necessariamente entrar no salão principal do restaurante para a experiência ser boa.

Muitos hotéis têm varanda, deck, mesas externas ou algum espaço onde a família consegue tomar café, almoçar ou jantar junta. Para mim, resolve super bem.


Quando a opção é deixar os cães no quarto, avalio se eles estão tranquilos naquele ambiente e se estão acostumados a ficar sozinhos em locais desconhecidos.

Os meus normalmente ficam bem.


Só preciso conferir o frigobar.

Uma vez a Cindy abriu o frigobar durante uma viagem. Saí por meia hora para tomar café da manhã sem os dogs (estava chovendo e preferi deixar eles descansando, afinal foi bem rápido), quando voltei, ela tinha aberto, tirado a bolsa termica que estava no frigobar e comido a comida era pro final de semana todo!!!

Ainda bem que era a comida deles mesmos. 😂


Depois disso, posição do frigobar em quarto com cachorro ganhou um item próprio na minha inspeção informal.😂


A estrutura da hospedagem combina com o seu cachorro?

Aqui a conversa fica ainda mais individual.


Um cachorro jovem, ativo e acostumado com natureza pode amar uma pousada cheia de gramado, trilha e espaço para explorar.


Um cão idoso, com dificuldade de mobilidade, talvez precise muito mais de piso seguro, poucos degraus e facilidade para chegar ao quarto.


Um cachorro mais reservado pode ficar ótimo em uma hospedagem tranquila e sofrer em um espaço cheio de cães circulando o tempo inteiro.


Não existe uma única estrutura perfeita para todos os cães.

Por isso, olhe as fotos pensando no seu cachorro, não só em você.


Tem muita escada? Sacada segura? Portões? Cercas? O piso parece escorregadio? O caminho até o quarto é tranquilo? Há sombra nas áreas externas? Existe um lugar confortável para sair com ele à noite ou bem cedo para fazer xixi?


Já me hospedei em uma casa onde a escada não tinha proteção lateral. Meus cães não tinham dificuldade com escadas, mas uma das minhas filhas, a Cindy, era bastante estabanada. Resultado: passei o final de semana inteiro subindo e descendo com 19 quilos de cachorro no colo.

A viagem foi ótima. Minhas costas talvez tenham outra opinião. 😅


Esse tipo de coisa a gente só percebe quando começa a olhar para a hospedagem também do ponto de vista do cachorro.


Onde seu cachorro vai dormir?

Parece uma pergunta boba, mas não é.


Aqui em casa os cães sempre dormiram conosco, então uma hospedagem em que o cachorro precise passar a noite separado simplesmente não funciona para a nossa rotina.

Em outras famílias, talvez funcione.


Algumas hospedagens permitem cães dentro do quarto, mas não sobre camas e sofás. Outras fornecem caminha, manta e potinhos. Há lugares com estruturas externas específicas para os animais.

O importante é saber antes.


Eu gosto de levar coisas conhecidas de casa, principalmente caminha e manta, além de tecidos impermeáveis que sempre carrego em todas as viagens, que servem para cobrir os móveis e deixar tudo perfeitinho. Estes materiais, além de facilitar a rotina, tem aquele cheirinho familiar pode ajudar o cão a reconhecer que existe ali um lugar dele.


Cindy, cachorro, em uma trilha pet friendly com cachoeira

Quais são as exigências para os cães?

Confira também se a hospedagem solicita documentação ou possui exigências específicas para receber os animais.


Pode haver regras relacionadas a vacinação, condições de saúde, antiparasitários, identificação ou outros cuidados.


Como essas exigências variam de um lugar para outro, consulte a política da hospedagem antes da viagem e, quando houver dúvida sobre a saúde ou os cuidados adequados ao seu cachorro, converse com o médico-veterinário que o acompanha.


E faça sua parte também.

Recolher o cocô, respeitar áreas sinalizadas, cuidar para que o cão não danifique o espaço e seguir as orientações da equipe são coisas básicas para que todo mundo consiga conviver bem.


Tem taxa pet? E o que ela inclui?

Sim, muitas hospedagens cobram uma taxa adicional pelo pet.


Ela pode ser por diária, por animal, por período de hospedagem ou seguir outro formato definido pelo estabelecimento.


A cobrança da taxa, sozinha, não diz se o lugar é mais ou menos pet friendly.

O que eu recomendo é verificar quanto custa, como é cobrada e se existe alguma entrega associada, evitando aquela surpresa nada agradável só no fechamento da conta.


Alguns lugares incluem caminha, potes, tapete higiênico, petiscos ou outros mimos. Outros utilizam a taxa para cobrir limpeza e operação adicionais.

E tudo bem.

Só precisa estar claro.


Caminha, potinho e mimo são legais. Mas não são tudo.

Eu adoro chegar num quarto e encontrar um mimo para os dogs.

Claro que adoro. Quem não gosta? 😂


Mas uma hospedagem não vira pet friendly só porque colocou dois potinhos no chão.


Para mim, o mais importante está na experiência inteira: informações claras, equipe preparada, regras que façam sentido, estrutura segura e uma rotina que permita que aquela família realmente aproveite a viagem junta.


Às vezes uma hospedagem mais simples faz isso maravilhosamente bem.

E às vezes um lugar cheio de itens com patinhas estampadas cria tantas limitações que o cachorro praticamente só pode existir dentro do quarto.


Por isso eu volto àquela ideia do começo:

aceitar é diferente de receber.


E nenhum mimo compensa um mau atendimento.


Não escolha uma hospedagem só pelas fotos das redes sociais

Uma das críticas mais comuns que recebo é de pessoas que veem fotos do hotel no Instagram, com cachorros de todos os tamanhos, alguns correndo soltos, pulando na piscina...mas na realidade não é bem assim. Quando leem as regras, as vezes só quando chegam ao local, é que descobrem que não podem circular com os cães soltos, não podem usar a piscina, ou mesmo até mesmo que o local não aceita cães acima de determinado tamanho. Isso infelizmente acontece e muito, os pet influencers têm total liberdade, mas os outros precisam seguir as regras, por isso é importante ler sempre a política pet friendly do hotel, se tiver dúvidas, consulte antes.


Uma vez vi o perfil de uma pousada no Instagram, me animei porque além de estar escrito que são pet friendly também tinha fotos de um golden bem grande nadando, correndo e brincando, a pousada é bem bonita e fui para o site, mas quando fui ler a política pet descobri que a mesma pousada só aceita pets de até 8kg!

Pois é, aquele golden das fotos certamente tinha muito mais do que isso.😂


Uma foto pode ter sido feita em uma ação especial, com um animal da propriedade, em uma produção ou em uma situação que não representa a regra diária para os hóspedes.

Então use as redes sociais para se apaixonar pelo lugar, sim.


Mas use a política pet e a confirmação direta da hospedagem para decidir se pode reservar.


Checklist: o que perguntar antes de reservar um hotel ou pousada pet friendly

Se quiser salvar a versão resumida deste texto, antes de fazer a reserva confirme:

  • se há limite de porte, peso ou quantidade de cães;

  • qual é o valor da taxa pet e como ela é cobrada;

  • onde os cães podem circular;

  • se podem acompanhar você durante as refeições;

  • se podem permanecer sozinhos no quarto;

  • onde vão dormir e quais são as regras para cama e móveis;

  • se existem exigências de documentação ou saúde;

  • se a estrutura é segura e confortável para o perfil do seu cachorro;

  • quais passeios, restaurantes e atrações do destino também podem ser feitos com ele;

  • e se alguma informação importante não estiver clara, pergunte diretamente à hospedagem.


Parece muita coisa?

Depois que você pega o hábito, não é.

E economiza um bocado de perrengue.


A melhor hospedagem pet friendly é a que funciona para a sua família

Cacau, cachorro vira lata caramelo durante hospedagem na Pousada Pegada da Onça, em Tapiraí


Depois de tantos anos viajando com cães, eu desconfio cada vez mais de listas que tentam definir “o melhor hotel pet friendly” de forma absoluta.


Melhor para quem?


Um cachorro que ama outros cães tem necessidades diferentes de um que prefere ficar mais quietinho. Um cão idoso não procura a mesma experiência de um jovem cheio de energia.


Quem viaja com vários cães olha para coisas diferentes de quem viaja com um. Tem família que quer passar três dias sem sair da pousada e tem família que volta para o quarto só para dormir.


Por isso, a pergunta que eu faria não é simplesmente: “Este hotel é pet friendly?”

Eu perguntaria:

“Este hotel é pet friendly para o meu cachorro e para a viagem que eu quero fazer?”


Essa pequena mudança de pergunta faz uma diferença enorme.


E é também uma das coisas em que mais acreditamos aqui na Cãomigo: turismo pet friendly bom é aquele que considera que cães e famílias são diferentes, e que informação clara ajuda cada um a encontrar a experiência que realmente combina com o seu perfil.


É justamente pensando nisso que a Cãomigo está ampliando sua atuação também para as hospedagens pet friendly.


Muito em breve você vai encontrar novidades por aqui. 👀🐾


Enquanto isso, continue acompanhando nosso blog. Tem muita viagem, destino, hospedagem, trilha e AUventura vivida de verdade para compartilhar.


E se este texto puder evitar pelo menos um “tá, mas onde eu coloco o cachorro agora?” nas próximas férias, já valeu. 😂

Vem Cãomigo!

Este artigo foi publicado originalmente em 2021 e revisado integralmente em setembro de 2026, incorporando novos aprendizados e experiências da Cãomigo no turismo pet friendly.

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