Por que abolir os fogos de artifício?
- Cãomigo

- 22 de dez de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 22 de dez de 2025
Não só por eles, mas também por eles!

Ah, mas é tradição, blá blá blá...🙄
Vale lembrar que nem todas as tradições são boas, né gente? Houve um tempo em que a escravidão e os casamentos infantis eram considerados tradições.
Tá. Tudo bem.
Se ainda temos que falar disso em pleno final de 2025, vamos lá!
Já que ainda é necessário, vamos falar de forma clara e objetiva sobre os principais motivos para não soltar fogos de artifício, especialmente os fogos com estampido (barulho).
Fogos de artifício fazem mal?
Sim. E não é opinião, é fato.
Sua própria segurança e a da sua família
Uma coisa temos que concordar, tem que ser corajoso (ou estúpido demais) para soltar fogos de artifício.
No Brasil, os acidentes com fogos de artifício continuam sendo um problema grave de saúde pública.Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que somente em 2024 foram registradas 377 internações hospitalares por lesões causadas por fogos de artifício em todo o país. Entre janeiro e setembro de 2024, já haviam sido contabilizadas 288 internações, número superior ao registrado no mesmo período de 2023.
Esses dados consideram apenas os casos que exigiram hospitalização. Além disso, no mesmo período, o SUS também registrou mais de 100 atendimentos ambulatoriais por queimaduras e ferimentos provocados por fogos, o que indica que o número real de pessoas afetadas é ainda maior.
Em uma análise mais ampla, entre 2014 e 2024, o SUS contabilizou mais de 4.800 internações relacionadas a acidentes com fogos de artifício no Brasil. Ao longo dos anos, esses acidentes resultaram em queimaduras graves, fraturas, amputações e mortes, muitas delas evitáveis.
Vale arriscar?
Bom, se você ainda acha que vale, vamos a outros motivos que não têm a ver com seu próprio umbigo. 😉
Fogos de artifício são proibidos?
Seguir a lei também é um motivo, ou pelo menos deveria ser.
Muitos estados e municípios do Brasil já proíbem a queima de fogos com estampido, mesmo que, na prática, a lei muitas vezes não seja respeitada.
Embora ainda não há uma lei federal em vigor que proíba, de forma definitiva, os fogos de artifício barulhentos em todo o Brasil, existe um projeto em tramitação no Congresso Nacional que representa um passo importante nessa direção.
O Projeto de Lei nº 5, de 2022, começou propondo a proibição da fabricação, comércio, transporte, manuseio e uso de fogos de artifício que produzam estampidos em todo o território nacional. Durante a análise no Senado, o texto foi alterado: em vez de uma proibição total, passou a estabelecer um limite de 70 decibéis para o ruído desses fogos. Na prática, isso significa que apenas os fogos que ultrapassarem esse limite poderão ser proibidos em âmbito federal, caso o projeto seja aprovado definitivamente.
O texto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, como a decisão teve caráter terminativo, o projeto seguiu direto para a Câmara dos Deputados, sem votação no Plenário do Senado. Na Câmara, o PL 5/2022 foi anexado a outro projeto que trata do mesmo tema e continua em análise nas comissões, ainda sem data prevista para votação em Plenário.
Muitos estados e municípios do Brasil já proíbem a queima de fogos com estampido, embora a leia na maioria das vezes não seja seguida. O cenário é claro: faltam leis mais duras, falta fiscalização adequada, falta punição coerente, e falta, principalmente, empatia e respeito pelo próximo.
Fogos de artifício e pessoas com autismo, epilepsia e outras condições
Pensar nas outras pessoas também importa.
O barulho alto é nocivo para muitas pessoas, e especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que apresentam uma hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente.
Os estampidos dos fogos podem levar a pessoa com TEA a crises, e até mesmo atos de automutilação.
Essa hipersensibilidade sensorial pode afetar ainda outros sentidos, como tato, paladar e visão. É um sofrimento para toda família.
Pessoas com epilepsia também podem ter crises desencadeadas pelos barulhos e/ou pelas luzes dos fogos. Assim como os animais.
Pessoas idosas, com distúrbios cognitivos, crianças pequenas e pessoas adoentadas, também podem sofrer com os fogos de artifício. Os barulhos fortes e inesperados causam reações de estresse, ansiedade, medo, pânico e desconfortos físicos e emocionais.
Fogos de artifício prejudicam o meio ambiente?
Sim. E os impactos vão além do que a gente vê.
O próprio material dos fogos já geram lixos completamente desnecessários.
A queima de fogos provoca ainda poluição do ar pela emissão de compostos poluentes, como substancias químicas e metais nocivos à saúde. Quando os fogos são queimados em balsas no mar, essas substâncias afetam também os animais marinhos.
Há ainda riscos reais de incêndios, danos à rede elétrica e acidentes ambientais de grande escala.
O impacto dos fogos de artifício nos animais silvestres
Um problema invisível para quem só quer “ver o show”.
O som, as luzes e até o cheiro dos fogos podem ser devastadores para os animais silvestres, causando pânico, desorientação, acidentes e muitas mortes.
Milhares de aves morrem todos os anos no mundo por causa dos fogos. O barulho e as luzes fazem com que voem de forma descontrolada, colidindo com obstáculos, caindo ou se afastando dos ninhos. Muitas aves morrem, inclusive, de ataque cardíaco.
Os morcegos, mamíferos essenciais para o equilíbrio do ecossistema, também são extremamente afetados. Eles perdem a orientação e podem morrer em decorrência direta dos fogos.
Fogos de artifício fazem mal para cães e gatos?
Não só por eles, mas também por eles.
Os animais domésticos, em sua maioria, sofrem intensamente com o barulho produzido pelos fogos. Como possuem uma audição muito mais sensível do que a nossa, os sons podem ultrapassar o limiar da dor.
Basta uma pesquisa rápida na internet para encontrar dezenas de casos de animais que morreram ou se feriram gravemente por causa de fogos de artifício.
A maioria entra em pânico, o que pode gerar:
crises convulsivas,
paradas cardíacas,
hiperventilação,
fugas desesperadas,
atropelamentos,
quedas,
ferimentos graves,
e sequelas comportamentais permanentes.
É muito comum relatos de cães e gatos que convulsionam até a morte ou sofrem acidentes fatais tentando fugir do barulho.
Será que a "beleza" de alguns minutos, apreciada por poucos, justifica o sofrimento de outros?
Fica a reflexão.



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