A chegada do Aron, meu cachorrinho, meu filho


Laine Ventura e o Pug Aron (crédito Laine Ventura)

O meu nome é Laine, tenho 40 anos, decidi ser mãe do Aron, meu Pug, um cachorrinho, em um momento delicado da minha vida. No meu processo de divórcio, como contei no meu primeiro artigo do meu blog.

Talvez tenha sido uma pessoa egoísta em querer ter alguém para curar algumas feridas, talvez tenha sido mesmo. Mas, estou falando aqui da melhor decisão que pude fazer em minha vida.

O Aron transformou meus dias, me trouxe alegria e também disciplina. Nunca ninguém tinha dependido exclusivamente de mim para se alimentar, dar carinho e passear e assim foi com ele. Eu definitivamente vi o quanto isso pode transformar a vida de alguém, ele transformou e edificou a minha para melhor. O amor reverberou no meu coração de maneira que antes nunca havia acontecido.

Eu também sabia que teria que dar um lar a ele, bem estar e tudo mais que um Pug teimoso gostaria. Entendia que não era só ele que teria que me dar alegria e afeto e sim, eu também tinha um compromisso com ele. E é assim que convivemos, um fazendo pelo outro com todo amor do mundo.

A primeira descoberta, depois do meu amor e de compartilhamos o mesmo lar, foi entender que ele era musical e que a música lhe trazia calma. Eu me atrevi a fazer uma playlist exclusiva para o Aron. Fui testando quais os ritmos ele mais demonstrava contentamento ou calma e assim foi feita a seleção musical da Playlist do Aron. É bem eclético, igual a mamãe.

Enquanto eu pensava em lhe proporcionar lazer e bem estar, ele me ensinava que amor não são apenas palavras e ações visuais e que um olhar profundo diz mais que qualquer abraço. Os cães têm esse poder. Ele me ensina a ser despretensiosa, menos egoísta e estou aprendendo e dividindo o meu tempo com ele. Por mais que eu queira, ainda não sou tão evoluída quanto ele. Ele me dá muito mais que eu poderia lhe oferecer nessa vida.

Além da rotina doméstica que me trouxe, ele me presenteia todos os dias com um olhar atento para as coisas naturais da vida, porém especiais. Na nossa caminhada matinal, ele me sinaliza as borboletas que estão voando, a graminha tímida no canto da pedra, o vaso de flor que está sem cor e talvez eu passaria reto sem perceber, as flores que estão lá dentro, o cantarolar dos passarinhos. Ele fica imóvel até entender o que está acontecendo no exterior. O Aron se tornou a minha lente de aumento.


Ele me fez enxergar lentamente as coisas que a vida nos coloca diante dos nossos olhos, que a mãe natureza nos presenteia a todo instante. Talvez essa seja a missão do Aron, pois eu andava com pressa, com o olhar apenas adiante e não tinha parado para pensar na beleza que existia a minha volta.

E até mesmo nas pessoas, quantas vezes você já passou por alguém e não notou? Ou apenas falou um bom dia que está no seu repertório de piloto automático e nem sequer olhou nos olhos e esboçou um sorriso. A sua mente está tão ligada em você, nos seus comportamentos, nos seus compromissos que não nota o que acontece ao seu lado. Ele me fez desacelerar porque ele não tem pressa. Ele olha, ele nota, ele observa.

Então me nego a dizer que o Aron é apenas um companheiro, ele é um administrador de olhares. É aquele que não gosta de vivenciar o belo sozinho, ele me chama, ainda mesmo com rebeldia, para que eu possa apreciar com ele. Eu entendo, porque também não gosto de ver o pôr do sol sozinha, gosto de contemplar o belo em coletivo.

Ser fiel com ele é ser fiel a mim mesma. É dedicar parte do meu tempo para ficarmos observando o que ele observa, é me permitir ficar triste ao lado dele e principalmente curtir momentos icônicos com ele, notando o seu olhar de aprovação ou não. Quando ele era menor, se assustava com as minhas gargalhadas que são altas e desenfreadas. Hoje ele pula e me lambe, entendendo que é um sinal de alegria. Então as minhas principais comemorações são ao seu lado e quando o espaço físico não nos permite "gargalhamos'' juntos, quando chego em casa, ligo o som e coloco a playlist do Aron e decretamos que esse é o nosso momento de festejar. Só nós dois, com gargalhadas que engasgam.

Depois dele, nunca mais me senti só, pelo contrário, me sinto tão inteira. Ele é o movimento que eu precisava. Nunca foi apenas um cachorro, como as estrelas não são apenas estrelas.

Se você se permite ter um amor incondicional que balança as suas estruturas, um adminstrador de olhar, um purificador da alma, entenderá - ou já entende - que um cachororrinho é um ser necessário para que possamos nos olhar de dentro pra fora e refletirmos o que podemos entregar com qualidade para eles. Porque eles entregam muito mais que amor, ele nos enchem de hombridade, sossego e purificam nossa alma.

Um beijo nosso,

Laine e Aron


Laine Ventura é fundadora do Blog Prateleira de Mulher, e em conjunto com outras mulheres, escreve matérias incríveis sobre o universo feminino. O Blog foi criado para compartilhar, contribuir e entreter mulheres contemporâneas e discutir o mundo feminino de uma forma inteligente.


Vem conhecer!

https://prateleirademulher.com.br/

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