Será que o Turismo Pet Friendly é tendência?
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Em 2022 eu disse que turismo pet friendly não era tendência, já era uma realidade. Em 2026, o Ministério do Turismo divulgou que o turismo pet friendly é das tendências para 2026.
Na semana passada, o Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Braztoa, publicou a Revista de Tendências do Turismo 2026. É uma publicação importante cheia de dados, análises e direcionamentos para o setor. E na página 35, lá está: turismo pet friendly listado como uma das tendências do turismo brasileiro.
Me lembrei do texto que publiquei no Diário do Turismo em julho de 2022, cujo título era: "Turismo Pet Friendly não é tendência, é realidade."

Fiquei feliz vendo que o segmento pet friendly finalmente vem recebendo o destaque que merece.
Vamos aos números — os de 2022 e os de agora
Em 2022, quando escrevi aquele texto, os dados já eram expressivos o suficiente para tirar qualquer dúvida sobre o potencial do mercado. Uma pesquisa do Hoteis.com mostrava que 82% dos entrevistados pretendiam viajar com seus animais. O Booking.com revelava que 46% dos brasileiros escolhiam destinos baseados no critério pet friendly — bem acima da média global de 31%. A busca pelo termo "hotel pet friendly" havia crescido 238% durante a pandemia.
Esses dados já gritavam. E gritavam alto.
Mas o mercado formal ainda engatinhava. E boa parte do setor de turismo ainda olhava para esse público com uma mistura de curiosidade e ceticismo.
Pois bem. Quatro anos depois, o cenário mudou — e muito.
📊 O mercado pet brasileiro faturou R$ 75 bilhões em 2024, crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior. O Brasil é o 3º maior mercado pet do mundo. (Fonte: Abinpet / Instituto Pet Brasil)
🐾 O Brasil tem cerca de 160 milhões de pets — e aproximadamente 40 milhões de crianças com até 14 anos. Há mais animais de estimação do que crianças nos lares brasileiros. (Fonte: Instituto Pet Brasil / IBGE)
Essa não é uma curiosidade estatística. Essa é uma transformação cultural profunda, que redefine o que é "família" para uma parcela enorme da população brasileira — e que tem impacto direto em como essas pessoas tomam decisões de consumo, e claro, impactam também quando o assunto é viagem ou lazer.
O papel dos pets nas famílias brasileiras: aqui, nada mudou — evoluiu
Há quase uma década venho dizendo que o tutor brasileiro não abre mão do seu pet. Não abre mão de viajar e viver momentos de lazer com ele, de incluí-lo nas experiências, de garantir conforto e bem-estar. Isso nunca foi capricho ou excentricidade, isso é a expressão de um vínculo afetivo que, para muitas famílias, é tão real quanto qualquer outro.
Em 2022 pesquisas já mostravam que 88% dos tutores de cães consideravam seu animal como membro da família, e 80% o viam como filho. Esses números não caíram com o tempo, eles cresceram. E com eles, cresceu também a exigência por serviços que respeitem essa relação.
O tutor que antes aceitava um "quarto no térreo com acesso ao jardim" como favor do hotel, hoje exige área de lazer, cardápio pet, espaços seguros e atendentes que saibam receber um animal com cuidado e preparo. E tem razão em exigir — porque o mercado cresceu, a oferta cresceu, e a consciência do que é um serviço de qualidade também cresceu.
O Ministério do Turismo destacou o Turismo Pet Friendly, e isso vale muito!

O turismo pet friendly agora é listado como uma das tendências prioritárias para o setor em 2026, reconhecendo o crescimento da demanda e a necessidade de profissionalização do mercado.
O reconhecimento oficial é importante, não só porque valida o que já sabíamos, mas porque abre portas para políticas públicas, investimentos, capacitação e regulação. Que é exatamente o que o setor precisa para dar o próximo salto.
E olha que o país está se movendo nessa direção: o Ministério do Turismo anunciou recentemente um mapeamento nacional do turismo pet friendly, que vai identificar destinos preparados, oferta de serviços e perfil do viajante com pet em todo o Brasil. O resultado vai orientar a formulação de políticas públicas e a criação do Guia Nacional de Turismo Pet Friendly.
Isso, minha gente, é mercado amadurecendo. É o que acontece quando uma demanda que sempre existiu encontra finalmente o arcabouço institucional para se desenvolver com mais qualidade e escala.
O que a Cãomigo aprendeu nesses 8+ anos na estrada
A Cãomigo nasceu de uma crença simples: que viver momentos de lazer com o seu cão deveria ser possível, acessível e incrível. E construímos isso na prática, com trilhas, passeios e viagens, e milhares de tutores e cães que viveram auventuras conosco.

Cada grupo que saiu conosco ensinou algo. Cada destino que visitamos deixou um aprendizado sobre o que funciona, o que falta, o que os tutores e os cães mais precisam. Essa bagagem se acumula em anos de estrada e trabalho duro, e o que eu aprendi, acima de tudo, é que o público do turismo pet friendly não quer caridade do mercado. Não quer que o hotel "aceite" o cachorro de má vontade. Não quer sentir que está pedindo um favor. Esse público quer ser bem-vindo, de verdade, com preparo, com estrutura e com respeito.
Ser pet friendly não é só tolerar a presença do pet. É treinar equipe, adaptar espaços, pensar na experiência do animal tanto quanto na do tutor. É uma postura, não um detalhe de marketing.
Se você atua no setor de turismo — hotéis, pousadas, operadoras, destinos, agências, atrações — precisa entender que esse mercado não vai diminuir. Vai crescer. Vai exigir mais. Vai se profissionalizar.
O MTur reconheceu a tendência. O mercado confirmou os números. E nós, que estamos nessa há anos, só temos um recado: o futuro do turismo é multiespécie. Bem-vindos à realidade que a gente já vivia. 🐾
O texto de 2022 pode ser lido em: https://diariodoturismo.com.br/turismo-pet-friendly-nao-e-tendencia-e-realidade/
Acesse a revista Tendências do Turismo para muita informação importante, e não deixe de conferir a página 25: https://www.gov.br/turismo/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/rede-inteligencia-mercado/revista-tendencias-2026-v02_compressed.pdf




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