OS ANIMAIS TEM CONSCIÊNCIA?




A ciência vem dia após dia provando aquilo que nós, que convivemos com animais, já estamos cansados de saber.


Nós sabemos quando nossos animais estão tristes, felizes, sentem dor ou medo. Mas será que apenas os animais domésticos, como cachorros e gatos, possuem consciência?


Um grupo de cientistas renomados (incluindo doutores de instituições como Caltech, MIT e o Instituto Max Planck) publicou em 2012 um manifesto afirmando que os mamíferos, aves e até mesmo polvos, possuem consciência. O manifesto não traz novas descobertas da neurociência, e sim uma compilação das pesquisas da área, além do posicionamento sobre a capacidade destes animais perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. As áreas do cérebro que nos distinguem dos animais não são as mesmas que produzem a consciência. As estruturas cerebrais que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes.



Declaração assinada pelos cientistas. Fonte: http://fcmconference.org/

Os animais possuem consciência de si mesmo, alguns, como os cães por exemplo, podem inclusive se reconhecer no espelho. Além das sensações físicas, como frio, calor e dor, eles possuem também emoções, como medo, afeto, felicidade e tristeza.


Texto original traduzido:

Neste dia de 07 de julho de 2012, um grupo proeminente de neurocientistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas e neurocientistas computacionais reuniram-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência da consciência e comportamentos relacionados, em animais humanos e não-humanos. Ainda que a investigação comparativa nesta área seja muito dificultada pela incapacidade de animais não humanos - e frequentemente humanos - para clara e prontamente comunicarem seus estados internos, as seguintes observações podem ser feitas inequivocamente: *O campo da investigação sobre a Consciência está evoluindo rapidamente. Novas técnicas e estratégias de investigação para animais humanos e não-humanos foram desenvolvidas em número abundante. Consequentemente, um maior número de dados é disponibilizado com mais facilidade, o que obriga a uma reavaliação periódica de preconcepções que persistem neste campo. Estudos de animais não-humanos mostraram circuitos cerebrais homólogos correlacionados com a experiência e a percepção da consciência podem ser seletivamente acessadas e manipuladas para compreender se são de fato necessários à referida experiência. Além disso, novas técnicas não invasivas estão já disponíveis para mapear os correlativos da consciência nos humanos.  *Os substratos neuronais não parecem limitar-se às estruturas corticais. De fato, redes neuronais subcorticais que são estimuladas durante a vivência de estados afetivos em humanos, são também criticamente importantes enquanto geradoras de comportamentos emocionais em animais. A estimulação artificial das mesmas regiões do cérebro gera comportamentos e estados sentimentais correspondentes em ambos, animais humanos e não-humanos. Sempre que suscitamos comportamentos emocionais instintivos em cérebros de animais não-humanos, muitos dos comportamentos subsequentes são consistentes com a experiência de estados sentimentais, incluindo os estados internos compensatórios ou punitivos. Os sistemas associados ao afeto estão concentrados nas regiões subcorticais onde abundam as homologias neuronais. Ademais, os circuitos neuronais que suportam estados comportamentais/eletrofisiológicos de atenção, sono e tomada de decisão, parecem ter surgido tão cedo, no processo evolutivo, quanto a ramificação dos invertebrados, sendo evidentes em insetos e moluscos cefalópodes (polvo).  *As aves parecem oferecer, de forma surpreendente, através do seu comportamento, da sua neurofisiologia, e da sua neuroanatomia, um processo de evolução paralela da consciência. Evidências de níveis de consciência próximo dos humanos têm sido, da forma mais dramática, observadas em papagaios cinzentos africanos. As redes e microcircuitos emocionais e cognitivos de aves e mamíferos parecem ser bastante mais homólogos do que previamente se pensou. Além disso, certas espécies de aves, como foi demonstrado nos padrões neurofisiológicos dos mandarins, exibem padrões neuronais de sono idênticos aos dos mamíferos, incluindo o sono REM, que se pensava exigirem o neocórtex dos mamíferos. Asmagpies [uma espécie de pombo], em particular, exibiram impressionantes similaridades com humanos, grandes símios, golfinhos e elefantes em estudos de auto reconhecimento da sua imagem refletida num espelho.  * Nos humanos, o efeito de certos alucinógenos parece estar associado com uma disrupção no processamento cortical de feedforward e feedback. Intervenções farmacológicas em animais não-humanos com compostos conhecidos por afetarem o comportamento humano, podem conduzir a perturbações similares no comportamento dos animais não-humanos. Nos humanos, existem evidências que sugerem que a consciência de algo, tal como na consciência visual, está correlacionada com a atividade cortical, o que não exclui possíveis contribuições do processamento subcortical ou cortical primitivo. Evidências de que sentimentos de animais humanos e não-humanos emergem de redes cerebrais subcorticais homólogas fornecem evidências de qualia afetivas fundamentais evolutivamente partilhados.

Declaramos o seguinte: “A ausência de neocórtex não parece excluir um organismo da possibilidade de experienciar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não-humanos possuem os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência em linha com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são únicos na posse dos substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, abarcando todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo os polvos, também possuem estes substratos neurológicos”.




Leia também entrevista da revista Veja com Philip Low, um dos cientistas responsáveis pelo manifesto: http://veja.abril.com.br/ciencia/nao-e-mais-possivel-dizer-que-nao-sabiamos-diz-philip-low/

O texto original, assim como fotos e vídeos do evento, está disponível em http://fcmconference.org/. Vale a pena conferir!


"A nossa tarefa deve ser libertar-nos, ampliando o nosso círculo de compaixão para abraçar todas as criaturas vivas, toda a natureza e sua beleza."

Albert Einstein

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